<T->
           Histria ParaTodos
           Histria -- 2a. srie
           Ensino Fundamental

           Conceio Oliveira 

Impresso Braille em 3 partes na diagramao de 28 linhas por 34 caracteres, da 1a. edio So Paulo, 2006 da editora Scipione

           Primeira Parte

           Ministrio da Educao
           Instituto Benjamin Constant
           Av. Pasteur, 350-368 -- Urca
           22290-240 Rio de Janeiro 
           RJ -- Brasil
           Tel.: (0xx21) 3478-4400
           Fax: (0xx21) 3478-4444
          e-mail: ~,ibc@ibc.gov.br~, 
          ~,http:www.ibc.gov.br~,
          -- 2007 --
<P>
          Copyright (C) Maria da 
          Conceio Carneiro Oliveira

          Edio: 
          Solange A. de A. Francisco

          Assessoria pedaggica 
          (colaborao):
          Alessandra R. S. X. Oliveira
          Marco Antonio de Oliveira
          Maria Beatriz M. L. da Silva

          ISBN 85-262-5426-X-AL

          Av. Otaviano Alves de 
          Lima, 4.400 6 andar e andar 
          intermedirio ala "B"
          Freguesia do 
          CEP 02909-900 -- 
          So Paulo -- SP
          Caixa Postal 007
          DIVULGAO
          Tel.: (0xx11) 3990-1810

<F->
~,www.scipione.com.br~,
e-mail: ~,scipione@scipione.~
  com.br~,
<F+>
<P>
                               I
<R+>
Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)
 (Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Oliveira, Maria da Conceio Carneiro

     Histria Paratodos: 2 srie / Maria da Conceio
Carneiro Oliveira. -- So Paulo: Scipione, 2004. --
(Coleo Paratodos)

1. Histria (Ensino fundamental). I. Ttulo. II. 
  Srie.

04-2184           CDD-372`.89

ndice para catlogo sistemtico:
1. Histria: Ensino funda-
  mental 372.89
<R->
<P>
Maria da Conceio Carneiro 
  Oliveira

  Licenciada e bacharelada em Histria pela Universidade de So Paulo (USP -- SP).
  Mestranda em Histria Social pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp -- SP).
   professora desde 1984. Lecionou no Ensino Fundamental e Mdio em diversas escolas pblicas e privadas na cidade de So Paulo.
  Trabalhou na rea de formao de educadores. Presta assessoria de contedo e metodologia na rea editorial de ensino de Histria e atua como examinadora e corretora das bancas de vestibulares de Histria da Universidade Estadual de Campinas (SP) e da Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo (PUC -- SP).
<P>
                            III
Apresentao

  Estamos vivendo o incio de um novo sculo, caracterizado, entre outras coisas, por grandes transformaes sociais e pela velocidade no acesso s informaes, que circulam pelo mundo em questo de segundos.
  Novas teorias e novos dados sobre o planeta, o universo, a cultura e a vida das pessoas chegam s nossas casas, s escolas, aos computadores quase em tempo real. As crianas recebem essas informaes sem nenhum tipo de filtro, o que demanda dos profissionais da educao uma nova maneira de estabelecer as relaes com seus alunos e com o conhecimento.
  J existe entre os educadores um consenso sobre como educar nesses "novos tempos": o de que a escola no pode limitar seu trabalho ao ensino e  transmisso de alguns contedos cientficos construdos pela humanidade ao longo da histria.
   preciso assumir a responsabilidade pela formao tica e moral das futuras geraes, visando  construo da cidadania, de sociedades mais justas e solidrias e de sujeitos autnomos e protagonistas de sua prpria histria.
  Esta coleo de Histria, que ora apresento, est conectada com essas novas demandas educativas e faz isso de maneira sria e competente. Os quatro livros que compem a coleo adotam uma perspectiva na qual os estudantes so atores sociais ativos, que refletem sobre sua histria e a prpria vida. Por meio de narrativas que retratam a vida cotidiana das pessoas e das comunidades, as crianas so levadas a compreender as realidades sociais locais e nacionais e a conhecer as diferentes origens de nossa cultura. So estimuladas a perceber as desigualdades produzidas historicamente, a refletir sobre essas desigualdades 
<P>
                               V
e a questionar as causas de tanta injustia e preconceito em relao a vrios grupos sociais e s pessoas diferentes dos padres adotados por uma minoria socialmente dominante. Todo esse trabalho  desenvolvido por meio de linguagens e referncias bastante prximas s crianas.
  Estou confiante no fato de que os educadores que trabalharem com esta coleo de Histria estaro contribuindo para que seus alunos se tornem pessoas autnomas, crticas e ticas, preparadas para 
<P>
enfrentar os desafios acadmicos e pessoais que o futuro lhes reserva.

<R+>
Ulisses F. Arajo
 Professor da Faculdade de Educao da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp-SP).
 Pedagogo, Mestre em Educao e Doutor em Psicologia Escolar. Consultor do MEC no *Programa tica e Cidadania -- Construindo valores na sociedade e na escola*.
<R->
<P>
                            VII
Sumrio Geral

Primeira Parte

Unidade 1

 Conhecendo nosso livro
  e discutindo algumas
  regras :::::::::::::::::::: 1
 1- Todo mundo tem uma
  histria para contar :::::: 1
 Conhecer para melhorar,
  apreciar, respeitar e
  conviver :::::::::::::::::: 3
 Conhecendo a autora: lem-
  branas da infncia ::::::: 5
 Meu histrico escolar :::::: 13
 Minha famlia: um pedaci-
  nho do Brasil :::::::::::: 21
 Para saber mais :::::::::::: 28
 2- Viva as diferenas! Mas
  que diferenas? ::::::::::: 29
 O que a nossa lei maior
  diz? :::::::::::::::::::::: 30
 Conhecendo nossos amigos ::: 33
 Para saber mais :::::::::::: 38
<p>
 3- Meu caderno, minha
  histria :::::::::::::::::: 39
 Rota de viagem ::::::::::::: 39
 Cadeira de balano:
  Conversando a gente se
  entende ::::::::::::::::::: 42
 Refletindo e produzindo
  com Duda ::::::::::::::::: 48
 Nosso caderno Nossa
  histria :::::::::::::::::: 50
 Regras e castigos variam
  no tempo e em diferen-
  tes lugares ::::::::::::::: 54
 Professores, meninos e
  meninas maluquinhos no
  tempo da palmatria ::::::: 63
 Observando imagens de
  *Debret* ::::::::::::::::: 68
 Como era a educao no
  tempo dos meus avs ::::::: 70
 Para saber mais :::::::::::: 73
<p>
                             IX  
 Segunda Parte

 Unidade 2

 Milagres do povo ::::::::::: 75
 1- Nossas razes africa-
  nas ::::::::::::::::::::::: 76
 Cadeira de balano: Diga
  no ao preconceito! ::::::: 76
 Rota de viagem ::::::::::::: 80
 Refletindo e produzindo
  com Marina ::::::::::::::: 86
 A diversidade de povos
  africanos ::::::::::::::::: 88
 Conhecendo um pouco da
  mitologia Iorub ::::::::: 97
 Histrias de Oxal :::::::: 99
 O mundo que os escravos
  e os senhores criaram ::::: 104
 Preconceitos e persegui-
  es aps a abolio da
  escravido :::::::::::::::: 112
 Andar com f eu vou, a f
  no costuma falhar :::::::: 120
 Para saber mais :::::::::::: 122
 2- Nossas razes euro-
  pias ::::::::::::::::::::: 123
 Rota de viagem ::::::::::::: 123
 Cadeira de balano: "Pro-
  messa  sagrada" ::::::: 128
 Refletindo e produzindo
  com Zequinha e
  Rodrigo :::::::::::::::::: 135
 Os nossos povos indgenas
  foram e esto sendo
  catequizados, mas :::::: 140
 A f no pode ser cega ::::: 144
 Para saber mais :::::::::::: 149
 3- Nossas razes ind-
  genas ::::::::::::::::::::: 151
 Rota de viagem ::::::::::::: 151
 Cadeira de balano: Meu
  canto  de paz :::::::::::: 153
 Refletindo e produzindo
  com Taguat-Mirim ::::::: 158
 Cantar e danar so meios
  de se encontrar ::::::::::: 159
 Dana para guerreiros e
  guardies ::::::::::::::::: 161
 Msica, dana e luta de
  renascimento :::::::::::::: 164
 Para saber mais :::::::::::: 169
<p>
                             XI
 Terceira Parte

 Unidade 3

 Para ter sade 
  preciso cuidar do 
  corpo e da mente :::::::::: 171 
 1- Sade, pra que te
  quero! :::::::::::::::::::: 172
 Cadeira de balano:
  "Bah, tch! Como isso
  coa!" :::::::::::::::::::: 172
 Rota de viagem ::::::::::::: 177
 Refletindo e produzindo
  com Tico ::::::::::::::::: 179
 Povos indgenas: vtimas
  de epidemias no passado
  e no presente ::::::::::::: 182
 Direito  sade: ser que
  todos tm? :::::::::::::::: 186
 Prefeito Criana :::::::::: 188
 Para saber mais :::::::::::: 194
 2- Saberes do povo :::::::: 195
 Cadeira de balano: "Nunca
  mais como isopor!" :::::::: 195
 Rota de viagem ::::::::::::: 200
<p>
 Refletindo e produzindo
  com Pedro e Ben :::::::: 203
 Nossas plantas na medicina 
  popular ::::::::::::::::::: 204
 Remdio  remdio:  preciso
  cuidado! :::::::::::::::::: 206
 Amuletos, simpatias e
  rezas ::::::::::::::::::::: 209
 A importncia das plantas
  na histria dos povos ::::: 212
 Vamos fazer um dicionrio
  de plantas medicinais? :::: 218
 Para saber mais :::::::::::: 219
 Projeto interdisciplinar:
  Mos que preservam a
  natureza :::::::::::::::::: 220

 Glossrio :::::::::::::::::: 242

 Caminhos *on-line*
  para saber mais ::::::::::: 250
 Outras sugestes de
  leitura para saber mais ::: 257

               ::::::::::::::::::::::::

<p>
                           XIII
<R+>
Ateno! O smbolo ** (asterisco), encontrado aps algumas palavras ou expresses, serve para lembrar que, no final do livro, h um *glossrio*, com os significados de todas elas.
<R->

               ::::::::::::::::::::::::

Notas de transcrio:

  Nesta obra, as palavras abaixo
enumeradas tm, sempre, estes
sentidos:
<R+>
 1 -- Legenda: texto explicativo
  de: foto, gravura, ilustrao,
  mapa, quadro, etc.
 2 -- Figura: Representao de
  pessoa, animal ou objeto, por
  meio de desenho, gravura, foto-
  grafia, etc.
<R->
<p>
  Se voc quiser ler alguma das obras indicadas no item "Para saber mais", apresentado no final de cada captulo deste livro, pea ao professor ou  professora que providencie um exemplar em braille.

<6>
<thist. paratodos 2>
<t+1>
<R+>
 Unidade 1
  
 Conhecendo nosso livro e discutindo algumas regras

 Somos todos semelhantes.
 Somos todos diferentes.
 Quer ver?
 Voc gosta de qu?
 Abacaxi ou caqui?
 Doce ou salgado?
 Chocolate ou bom-bocado?
 Ah! De nada disso?
 De tudo isso?
 Abra seu livro pra descobrir
 o que voc tem que ver com tudo isso aqui.
<R->

<7>
<R+>
 1- Todo mundo tem uma histria para contar
<R->

  Eu, autora deste livro, acredito que estudar Histria  muito importante, pois nos permite entender vrias coisas que aconteceram ou ainda acontecem ao nosso redor. Desejo que voc, caro(a) aluno(a), aprenda bastante durante todo este ano.
  Este livro foi feito com muito carinho, para que seja seu grande companheiro. Ele foi escrito para ajud-lo(a) a aprender Histria de maneira agradvel, porque voc  muito especial.
   voc quem dar vida a este livro, ao l-lo, ao discutir com seus amigos, pais e professores os assuntos que ele apresenta e ao refletir sobre as questes propostas.
  E tambm  voc quem far valer a pena todos os esforos para a produo deste livro.
  Bom trabalho!

<R+>
 1. Voc gosta de estudar Histria?

 2. Vamos ver o que voc j sabe a respeito dessa matria:
 a) O que  Histria para voc?
 b) O que se pode aprender ao estudar Histria?

 3. Voc j fez uma linha do tempo? Sabe o que  e para que serve?
 Faa, em seu caderno, uma linha do tempo organizando as principais coisas que voc aprendeu em cada matria quando estava na primeira srie. No se esquea de marcar o perodo de frias.

 4. Selecione em sua linha do tempo algo que voc tenha aprendido em Histria e que de alguma forma o(a) auxiliou a compreender melhor o mundo  sua volta. Escreva esse fato em seu caderno e justifique sua escolha.

<8>
 Conhecer para melhorar, apreciar, respeitar e conviver
<R->

  Quando conhecemos melhor uma pessoa,  possvel nos comunicar e 
conviver melhor com ela. Quando conhecemos melhor um lugar,  
possvel gostar mais dele, freqent-lo mais vezes e fazer o mximo 
para melhor-lo. Quando passamos a conhecer bem uma brincadeira e uma 
infinidade de outras coisas,  possvel participar melhor delas. Voc concorda com essa idia?
  Muitos exemplos de situaes do nosso dia-a-dia podem comprov-la. Para ficar craque em uma nova brincadeira,  preciso primeiro conhec-la bem. Para aproveitar bastante um determinado lugar e gostar de freqent-lo,  preciso visit-lo algumas vezes e conhec-lo melhor. S depois de conhecer bem um novo amigo ou uma nova amiga  que passamos a conversar mais com ele ou ela e a gostar de sua companhia, a estudar com ele ou ela, a fazer trabalhos escolares, entre outras coisas.

<R+>
 1. Pense em algo que voc conseguiu melhorar, quando passou a conhecer mais. Conte a seus colegas.
<p>
 2. Pense em alguma coisa de que voc passou a gostar depois que se disps a conhecer melhor. Relate aos colegas.
<R->

<R+>
 Conhecendo a autora: lembranas da infncia
<R->

  Maria da Conceio  o meu nome. Foi minha me quem o escolheu.

<9>
  Quando eu era criana, no gostava muito do meu nome. Eu achava que ele era bom para nomear gente grande e no para chamar uma criana. Quando cresci, descobri o motivo de ter recebido esse nome e tambm qual era o seu significado. Assim, passei a gostar muito dele.
<p>
<R+>
 _`[{foto da professora Maria da Conceio_`]
<R->
<R+>
 Legenda: Quando eu tinha oito anos, eu era assim. E voc, como ? 
<R->

<R+>
 1. Traga uma fotografia sua atual ou descreva, por escrito, como 
voc .
 2. Voc gosta do seu nome?
 3. Voc sabe por que tem esse nome? Se no souber, pergunte s pessoas que cuidam de voc e conte aos colegas.
<R->

  O meu nome  de origem crist e sua histria est relacionada ao 
catolicismo*. Recebi esse nome porque nasci muito doente e minha me, que  catlica, fez uma promessa: caso eu sobrevivesse, me daria dois dos nomes mais comuns da me de Jesus Cristo -- Maria e Conceio.
  Todos ns temos uma histria
<p>
 para contar sobre os nossos nomes. Voc provavelmente j deve ter pesquisado a origem do seu.

  Responda oralmente:
<R+>
 4. Voc sabe o significado do seu nome? Se no souber, procure descobrir com as pessoas que cuidam de voc.
<R->

  Quando estava na segunda srie, que nos anos de 1970 se chamava "segunda srie do primrio", eu morava e estudava no bairro Ponte Grande, na cidade de Mogi das Cruzes (SP).

<10>
<R+>
 5. Esta  uma fotografia de Mogi das Cruzes, na dcada de 1970. 
Observe sua descrio.
 _`[{rua de paraleleppedos, com pouco movimento de veculos e,
  casas, em sua maioria, de um pavimento_`]
 Legenda: Largo 1 de Setembro. Mogi das Cruzes (SP), dcada de 1970.

 6. Agora, observe uma foto atual do mesmo lugar, em Mogi das Cruzes.

 _`[{rua asfaltada, com faixa para a travessia de pedestres e muito 
movimento de veculos; casas com dois ou mais pavimentos_`]
 Legenda: Largo 1 de Setembro. Mogi das Cruzes (SP), 2004.

  Responda oralmente:
 7. Observando as fotos acima, quais as principais mudanas que voc percebe na mesma rua dessa cidade?
<R->
<p>
<11>
  O primeiro nome da cidade onde morei era M'Boy, que significa "rio das cobras". Era assim que os povos indgenas da regio denominavam o rio Tiet, que corta a cidade de Mogi das Cruzes e, praticamente, todo o estado de So Paulo, desaguando no rio Paran, no oeste desse estado.

<R+>
  Responda oralmente:
 8. Esse nome foi dado pelos primeiros habitantes da regio e  originrio da lngua que eles falavam. Voc sabe de qual lngua se originou a palavra Mogi?
<R->

  Em 1972, quando eu estava na segunda srie, minha escola se chamava Grupo Escolar Adelino Borges Vieira. Hoje ela se chama Escola Estadual Adelino Borges Vieira.
<p>
<R+>
 _`[{foto: prdio trreo cercado com estacas e arame, em cho de 
terra batida_`]
 Legenda: A escola em que eu estudei, nos anos de 1970.
<R->

<R+>
  Responda por escrito:
 9. Geralmente, nomes de instituies como escolas so escolhidos para homenagear uma pessoa, um grupo social, um lugar.
 a) Qual  o nome da sua escola?
 b) Voc sabe por que ela tem esse nome?
<R->

  A lembrana mais significativa que tenho da segunda srie  a de ter vencido um concurso sobre a histria do patrono de minha escola: o professor Adelino Borges Vieira.
  Tnhamos de saber muitas coisas sobre ele; seu nome foi dado  minha escola.

<12>
<p>
<R+>
 _`[{foto: rosto de um homem com bigode_`]
 Legenda: Esta  uma fotografia de Adelino Borges Vieira. Ele nasceu em 1887 e morreu em 1953. Adelino foi uma pessoa importante na histria mogiana; seguiu os passos de seu pai, tornando-se professor em 1907. As palavras escritas ou faladas sempre tiveram grande importncia em sua vida: gostava de poesia, escrevia artigos para jornais e, quando discursava, encantava a todos.
<R->

  Nos anos de 1970, um grande nmero de pessoas *descendentes* de 
japoneses morava em Mogi das Cruzes. Em minha sala de aula havia 
muitas crianas *nipo-brasileiras*. Eu tinha um amigo, descendente de 
japoneses, chamado Mrio. Ele tambm participou do concurso sobre o 
patrono da escola.
<p>
   tarde, meus amigos nipo-brasileiros estudavam em escolas de 
lngua japonesa para aprender a ler e escrever tambm em japons.
  Era engraado conversar com eles e ouvi-los misturar as duas lnguas: portugus e japons. Meu amigo Mrio, por exemplo, dizia para mim: "Voc  o minha melhor amigo". Com o tempo, Mrio no se confundia mais e at o fim do ano aprendeu a dizer que eu era a melhor amiga dele.

<R+>
  Responda oralmente:
 10. A autora conta um fato marcante para ela, que aconteceu quando estava na segunda srie. H algum fato marcante em sua vida que voc gostaria de contar para os colegas?
<p>
  Responda por escrito:
 11. A autora era a melhor amiga de Mrio.
 a) Quem  o seu melhor amigo ou a sua melhor amiga?
 b) Faa um desenho dele ou dela em uma folha  parte e escreva contando como ele(a) .
<R->

<13>
 Meu histrico escolar

  Fiz a segunda srie em Mogi, mas a terceira cursei na cidade de Juqui (SP). Como tive de mudar de escola, a secretaria do Grupo Escolar Adelino Borges Vieira forneceu aos meus pais um histrico escolar. Esse documento serviu para que eu pudesse ser matriculada em outra escola, na nova cidade em que fui morar.
<p>
<R+>
  Responda oralmente:
 1. Voc sabe que tipos de informao um histrico escolar contm?

 2. Observe o histrico escolar da autora, na poca em que ela estava na "segunda srie primria".

 Delegacia do Ensino de Mogi das Cruzes
 Gesc. Adelino Borges Vieira
 Aluna: Maria da Conceio C. de Oliveira 
 srie 2 nivel I

 Legenda: Otimo -- verm.
  Bom -- larj.
  Regular -- amar.
  Fraco -- verde

 _`[{em todas as reas do programa, avaliadas nos meses de abril, junho, setembro e novembro, aparece, sempre, a cor vermelha_`]
<p>
 Desenvolvimento das reas do programa
 o Lingua patria
  Escrita
  Domnio da escrita ...
  Iniciao gramatical ...
  Leitura
  Entendimento de textos ...
  Leitura oral
  Composio oral e escrita
  Idias de acrdo com a maturidade da criana ...
  Facilidade de expresso ...
  Criatividade ...
 o Matemtica
  Raciocina com clareza ...
  Tem domnio das operaes ... 
  Estabelece relao entre os fatos ...
 o Estudos sociais
  Assimila os conhecimentos necessrios ...
  Mostra compreender as relaes
<p>
  sociais no ambiente que o envol-
  ve ...
 o Cincias
  Tira concluses satisfatorias das experincias relat. ...
  Integra os conhecimentos adquiridos e reage aos mesmos (atitude 
cientfica) ...
 o Sade
  Adquire os conhecimentos bsicos para protegera e conservar a sade 
...
  Aplica os conhecimentos ...
 o Educao Artstica
  Demonstra criatividade na realizao de atividades (desenho, 
msica, canto, artes plsticas, etc.) ...
 o Educao Moral e Civica
  Conhece os direitos e deveres da cidadania democrtica ...
  Aplica o aprendido ...

 Observo: O aluno est em condies de acompanhar a 3 srie do 
nvel II classe fort.
<p>
  no verso colocar restries sbre o desenvolvimento do aluno.
<R->

<14>
<R+>
  Responda oralmente:
 3. J que voc est estudando Histria, vamos ver se consegue 
encontrar alguns dados analisando o documento da pgina anterior. Depois, responda:
 a) A autora estudou Histria na segunda srie?
 b) As matrias que ela estudou na segunda srie so as mesmas que voc estuda hoje?
 c) Voc  avaliado da mesma maneira que a autora?
 d) O que h de semelhante e de diferente entre a histria escolar da autora, no ano de 1972, e a sua?
<R->

<R+>
  Responda oralmente:
 4. O trecho do documento destacado a seguir atesta que a autora, quando criana, tinha condies de cursar a terceira srie do nvel II, classe "forte". Observe-o atentamente e depois responda as questes propostas:

 Observo: O aluno est em condies de acompanhar a *3* srie do 
nvel II classe fort.

 a) O que voc entendeu da afirmao destacada acima? 
 b) Por que a autora deveria ir para uma classe "forte", segundo os 
critrios dos educadores do Grupo Escolar Adelino Borges Vieira?
<R->

  No perodo em que cursei a segunda srie, era comum as escolas classificarem as crianas de acordo com os resultados de suas provas. Assim, os alunos eram distribudos em classes diferentes, conforme o rendimento nas avaliaes.
<p>
<R+>
 5. Responda oralmente:
 a) Voc concorda com esse critrio de seleo dos alunos em "fortes" e "fracos"? Por qu?
 b) Em sua escola, como so organizadas as classes? Quais so os critrios adotados?
<R->

<15>
  O histrico escolar que voc analisou  um documento, uma fonte de informao para se entender um pouco da histria da educao no Brasil, na dcada de 1970. As informaes que ele contm, ao serem analisadas, nos ajudam a construir algum conhecimento sobre o passado.
  Mas, alm disso, esse documento tem, para mim, outra importncia... Ao olh-lo hoje, alm das informaes que voc pde observar, sinto algo a mais, que no est impresso naquelas linhas.
<p>
<R+>
  Responda oralmente:
 6. Voc saberia dizer que sentimento  esse?
<R->

  Ao olhar esse documento, da minha memria trago os meus amigos de escola, as atividades de que mais gostei, como o concurso do qual participei, as brincadeiras de que participei nesse perodo de minha infncia...
  Esse histrico escolar  um pedao da minha vida que me traz coisas boas. Ao olh-lo, sinto-me muito feliz.

<R+>
  Responda oralmente:
 7. Voc est comeando a construir o seu histrico escolar da segunda srie. Quando algum o examinar, no futuro, que impresses ter sobre a sua vida escolar?
<R->

<16>
<p>
<R+>
 Minha famlia: um pedacinho do Brasil
<R->

  Tenho uma famlia bem grande: meu pai, minha me, quatro irmos, muitos tios, tias, primos e primas.
  Num dia desses, quando estava visitando meus pais, olhei para o varal da casa deles e sorri.

<R+>
 _`[{desenho mostrando, penduradas num varal, uma toalha do Santos e 
outra do Corinthians, uma camisa e um bon do So Paulo_`]
<R->

  Achei aquele varal muito "democrtico"... Os lderes de torcidas organizadas deveriam fazer uma visita  casa de meus pais; eles iriam, com certeza, aprender como se convive em paz com as diferenas.
  No varal da casa de meus pais estava estendida uma parcela da 
diversidade* de gostos, hbitos e opes de minha famlia: eu, meu pai, meu irmo Carlinhos e minha irm Claudinia somos corintianos; minha me e meu irmo caula, Lus, torcem pelo So Paulo; e meu penltimo irmo, Clodoaldo,  santista.
  Desde muito pequenos fomos acostumados a viver respeitando as nossas diferenas.
  Minha me  catlica e meu pai  esprita*. Fomos educados na 
religio catlica, mas convivemos com amigos evanglicos* e de outras religies.
<17>
  O marido de minha irm  evanglico e freqenta regularmente a igreja Assemblia de Deus. Eles tm uma filha: a Letcia.

<R+>
 _`[{foto: uma criana entre duas mulheres_`]
 Legenda: Na foto, Letcia recebe o carinho das avs. Dona Conceio, 
a av paterna,  evanglica, e dona Terezinha, a av materna,  
catlica.
<R->
<p>
  Dona Marlene, uma das melhores amigas de minha me, tambm  
evanglica, membro da Igreja Adventista do 7 dia. Os adventistas no 
comem carne vermelha.

<R+>
 _`[{foto: duas mulheres sentadas lado-a-lado, sorrindo_`]
 Legenda: Na foto voc pode ver minha me, dona Terezinha, e a amiga 
dela, dona Marlene.
<R->

<R+>
  Responda oralmente:
 1. Os membros da minha famlia torcem por diferentes times de futebol, tm e tiveram variadas experincias com diversas religies.
 a) As pessoas da sua famlia gostam de futebol?
 b) Elas torcem por algum time? Caso voc tenha respondido sim, por qual(is) time(s) torcem?
 c) Seus familiares conhecem as religies citadas?
<p>
 d) Eles so praticantes de alguma dessas religies? Se voc respondeu sim, qual(is) religio(es) eles praticam?
<R->

<18>
<R+>
 2. Observe a descrio da foto de uma igreja adventista.

 _`[{fachada de um prdio, com o smbolo e o nome da igreja_`]
 Legenda: Igreja Adventista do 7 dia, em Palmas (TO), 2004.

  Responda oralmente:
 a) Voc sabe o que significa "adventista"?
<R->

  Tive uma grande amiga na adolescncia. Ela era filha de uma 
me-de-santo*. s vezes, para acompanh-la, eu assistia com um pouco 
de curiosidade, admirao e um certo medo aos rituais do candombl*. 
S mais tarde, na idade adulta, quando iniciei minhas pesquisas na 
Universidade,  que
<p>
 descobri a beleza e a riqueza das religies afro-brasileiras.
  O povo brasileiro  formado por uma grande mistura de povos e culturas. Por isso, acho que minha famlia  um pedacinho do Brasil. Penso que uma das grandes riquezas do nosso pas  essa grande diversidade de povos e culturas.
  Essa diversidade ser o tema central deste segundo volume da sua coleo de Histria.
  E por falar em diversidade, vamos conhecer, ou rever, alguns amigos que acompanharo voc em seu livro de Histria? Eles estaro nas prximas pginas, ajudando voc a pensar e refletir sobre a riqueza cultural de que  formado o nosso pas.

<R+>
 Marina -- Zequinha -- Taguat-Mirim -- Tico -- Pedro -- Ben -- Duda
<R->

<19>
  Essas personagens vivem em muitos lugares do Brasil.  possvel que voc j as conhea, pois elas foram criadas para acompanh-lo(a) da 1 a 4 sries em suas descobertas sobre a Histria do nosso pas.

<R+>
 _`[{mapa do Brasil mostrando as crianas-personagens deste livro e 
as regies onde moram_`]
 
 Marina e Duda -- Regio Nordeste
 Zequinha -- Regio Norte
 Pedro e Ben -- Regio Centro-Oeste
 Tico -- Regio Sul
 Taguat-Mirim -- Regio Sudeste
<R->

<20>
  Neste livro, voc ler e ouvir histrias contadas por seu professor ou sua professora, vividas por Marina, Zequinha, Taguat-Mirim, Pedro, Ben, Duda e Tico. Com base nessas histrias, voc poder refletir sobre histrias de vida, discutir com seus colegas de classe questes importantes propostas por essas crianas-personagens e fazer pesquisas para descobrir a sua prpria histria. Assim, voc conhecer um pouco mais do passado e do presente desse nosso pas de tantas faces.
  Voc vai descobrir que, apesar de as coisas atualmente mudarem muito depressa, h ainda modos de vida, religies, expresses artsticas, como o canto, a dana, a pintura, que so bastante antigos e que, transformados ou no, sobrevivem nos dias atuais.
  Conhecendo o dia-a-dia de cada uma dessas personagens, voc descobrir que existem muitas coisas em comum e ao mesmo tempo diferentes entre elas. Tente descobrir tudo isso participando das aventuras dessas crianas nos prximos captulos.
  Boa viagem!
<p>
<R+>
 Para saber mais

 *Os deuses e Deus*, de Brigitte Labb e Michel Puech. Traduo de Irami B. Silva. So Paulo: Scipione, 2002. (Cara ou coroa?).
 *Religies e crenas*, de Nereide Schilaro Santa Rosa. So Paulo: Moderna, 2001. (Arte e razes).
<R->

               ::::::::::::::::::::::::

<21>
<p>
<R+>
 2- Viva as diferenas! Mas que diferenas?
<R->

<R+>
 Quando voc ouve ou l
 a palavra *diferena*,
 o que vem  sua cabea?

 Uma disputa, uma luta,
 um debate, uma guerra?
 Muita ou pouca confuso?

 No, nada disso!
 Eu penso que diferena
  algo bom... ou no?

 Poema escrito pela autora.

 _`[{foto 1: moa de pele branca, cabelos pretos compridos e 
encaracolados, usando cala comprida;
  foto 2: rapaz de pele branca, cabelos lisos e pretos, vestindo 
jaqueta preta enfeitada;
  foto 3: rapaz de pele branca, corte de cabelo e penteado inco-
<p>
  muns, pintando figuras nas faces;
  foto 4: senhora de pele negra e cabelos grisalhos_`]

  Responda oralmente:
 1. Que diferenas voc pode apontar nas pessoas retratadas nessas imagens?
<R->

  E ento? Diferena  algo bom ou no? O que voc acha?
  Eu acredito que ter gostos e maneiras diferentes de se vestir, de pensar e de se expressar no  necessariamente bom ou ruim. Todas essas diferenas devem ser respeitadas. Elas so at mesmo garantidas em nossa Constituio.

<22>
<R+>
 O que a nossa lei maior diz?

  Responda oralmente:
 1. Voc sabe o que  a Constituio?
<p>
 2. Leia uma parte do artigo 5 da Constituio Brasileira:
<R->

           TTULO II
           Dos Direitos e Garantias
           Fundamentais
           CAPTULO I
           Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos
  Art. 5 Todos so iguais perante a lei, *sem distino de qualquer natureza*, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pas a inviolabilidade do direito  vida,  liberdade,  igualdade,  segurana e  propriedade (...)

<R+>
  Responda oralmente:
 3. Forme dupla com um amigo ou uma amiga. Procurem no dicionrio o 
significado das palavras *distino, discriminao* e 
*inviolabilidade*. Depois, expliquem para a turma, com suas prprias 
palavras, o que esse
<p>
  artigo garante s pessoas que vivem no Brasil.
<R->

  As pessoas tm o direito de serem diferentes umas das outras. Ningum em nosso pas pode ser discriminado pela cor da pele, pelo formato dos olhos, pelo tipo de cabelo ou por ser portador de alguma doena ou deficincia, sejam elas visveis ou no; ningum pode ser discriminado pela f que tem ou que no tem; por ser mulher ou homem, alto ou baixo, gordo ou magro; por ser criana, jovem ou velho; ningum pode ser discriminado pelas origens que tem, pelo jeito de falar... Enfim, a Constituio Brasileira, a lei maior de nosso pas, assegura a todas as pessoas que aqui vivem o direito de ser diferentes.
  Agora, preste muita ateno nas diferentes maneiras de ser e de viver dos amigos que acompanharo voc neste livro de Histria.

<23>
<p>
 Conhecendo nossos amigos

<R+>
 _`[{foto 1: uma praia e uma avenida  beira-mar, com edifcios de 
apartamentos_`]
 Legenda: Recife, Pernambuco, 2002.
<R->
 
  -- Sou a duda. Moro no bairro de Boa Viagem, em Recife, a Capital 
de Pernambuco, e estudo na primeira srie com a minha amiga Bianca. 
Eu adoro carnaval! E voc?

<R+>
 _`[{foto 2: uma marina (local onde os barcos ficam ancorados) com 
algumas embarcaes_`]
 Legenda: Salvador, Bahia, 2002.
<R->

  -- Meu nome  Marina. Sou Soteropolitana:  assim que so chamadas 
as pessoas que nascem em Salvador, na Bahia. Estudo na segunda srie 
e moro no bairro
<p>
 Rio Vermelho. No meu bairro acontece a mais linda 
festa para Iemanj.

<R+>
 _`[{foto 3: o mar e algumas ilhas_`]
 Legenda: Angra dos Reis, Rio de Janeiro, 2004.
<R->

  -- Meu nome  Taguat-Mirim. Moro e estudo na aldeia Tekoa Sapukai, 
em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Estou na primeira srie. A 
lngua do meu povo  Guarani-Mby. Vou ensinar pra vocs, neste 
livro, um canto sagrado de meu povo.

<24>
<R+>
 _`[{foto 4: um praa com um lago e um coreto_`]
 Legenda: Belm, Par, 2003.
<R->

  -- Meu nome  zequinha. Moro em Icoaraci, que fica em Belm, no 
Par. Estou na terceira srie. Sou devoto de Nossa Senhora de Nazar 
e vou mostrar para
<p>
 vocs como  bonita a festa do Crio*.

<R+>
 _`[{foto 5: uma praa, com canteiros floridos_`]
 Legenda: Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1997.
<R->

  -- Sou o tico. Conheo todo o centro de Porto Alegre. Bah, tch! 
Viver na rua no  fcil. Quando fico doente, sinto falta de meu 
irmo Joaquim, que cuidava de mim.

<R+>
 _`[{foto 6: uma cidade, com edifcios, casas e ruas arborizadas_`]
 Legenda: Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 1994.
<R->

  -- Ol! eu sou o Pedro e esse  meu irmo Ben. Ns somos gmeos. O 
Ben insiste em dizer que ele  mais velho do que eu, mas, quando ele 
fica doente, sou eu quem cuida dele! Estamos na
<p>
 segunda srie e 
moramos em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

<25>
  Voc viu como nossas personagens so diferentes umas das outras?
  Marina adora capoeira; Taguat-Mirim fala Guarani-Mby, e Tico, quando est alegre ou triste, se expressa como todo gacho: "Bah, Tch!"; Zequinha  muito catlico; Maria Eduarda adora carnaval; Pedro e Ben so gmeos e gostam de coisas bem diferentes.
  Diferenas, muitas vezes, so positivas. Imagine se todo mundo 
fosse igual, pensasse igual, gostasse de comer as mesmas coisas! J 
pensou se todos gostassem de futebol e torcessem pelo mesmo time? O 
mundo seria muito montono, voc no acha?
  Mas h um tipo de diferena que eu e todas as pessoas interessadas em garantir os direitos fundamentais de nossa Constituio achamos muito ruim; na verdade, gostaramos que no existisse: so as diferenas em relao aos direitos das pessoas, como a personagem Tico, que vive de maneira diferente de muitas crianas. Assim que ele acorda, tem de sair em busca de comida. Alm disso, ele no conta com a proteo e o cuidado de adultos e no freqenta a escola.

<R+>
  Responda oralmente:
 1. Voc acha que esse tipo de diferena deve existir em nossa sociedade?
 2. Quais diferenas voc considera positivas? Por qu?
 3. E quais voc considera negativas? Por qu?

 Vamos, ento, conhecer as histrias que nossos amigos tm para contar?
<p>
 Para saber mais

 *Diversidade*, de Tatiana Belinky. So Paulo: Quinteto Editorial, 2000.
 *Entre neste livro -- a Constituio para crianas*, de Liliana Iacocca e Michele Iacocca. So Paulo: tica, 1996.
<R->

               ::::::::::::::::::::::::

<26>
<p>
<R+>
 3- Meu caderno, minha histria

 Rota de viagem

 _`[{foto: Recife (PE), mostrando as pontes sobre o rio_`]
 Legenda: Recife foi erguida na foz dos rios *Capibaribe* e 
*Beberibe*. Essa cidade  a capital de um dos estados da regio 
Nordeste do Brasil e  chamada de *Veneza americana* ou *Veneza 
brasileira*.

  Responda oralmente:
 1. De que estado brasileiro Recife  a capital?
 2. Voc sabe por que essa cidade tem o apelido de Veneza americana ou Veneza brasileira?
<R->

  Recife tem outra coisa em comum com a cidade de Veneza, na Itlia, alm do motivo pelo qual  chamada de Veneza brasileira. Observe a foto:
<p>
<R+>
 _`[{foto tirada no ano de 2002, em Veneza, Itlia, mostrando duas 
pessoas com mscaras, chapus e roupas coloridas_`]
 Legenda: Na cidade de Veneza, as pessoas saem mascaradas e 
fantasiadas s ruas, em uma determinada poca do ano.
<R->

<27>
  Em Recife, em uma determinada poca do ano, as pessoas usam fantasias para festejar e brincar nas ruas.

<R+>
 _`[{foto: folio, com o rosto pintado, de chapu e roupas 
coloridas_`]
 Legenda: Recife (PE), 2000.
<R->

<R+>
  Responda oralmente: 
 3. Que festa  essa que acontece em Veneza e em Recife?
 4. Essa festa acontece em outras cidades do Brasil?
<p>
 5. Voc conhece ou j ouviu falar do bloco Galo da Madrugada?
<R->

<R+>
 _`[{foto 1: tirada em 2000, mostra uma multido, no carnaval, pelas ruas de Recife (PE)_`]

 _`[{foto 2: tirada em 1998, mostra um enorme galo no bloco Galo da Madrugada, nas ruas de Recife (PE)_`]
 Legenda: O carnaval de Recife  famoso pelo desfile do bloco Galo da Madrugada.
<R->

<R+>
 6. Voc sabe quando surgiu o bloco Galo da Madrugada e por que ele tem esse nome?
 7. Na sua cidade, o carnaval  parecido com o de Recife?
 8. Como  comemorado o carnaval em sua cidade?
<R->
<28>
<p>
<R+>
 Cadeira de balano:

 Conversando a gente se entende
<R->

  Dona Maria Aparecida, a me de Duda, j um pouco impaciente, esperava a filha no porto da escola e nada de a menina aparecer. Enquanto isso, pensava com seus botes:
  -- Mas que atraso! E justamente hoje que marquei hora com a costureira.
  Enquanto isso, Duda estava na sala, muito triste, pensando nas 
coisas que estava perdendo:
  -- Ah! Que pena que tudo isso aconteceu... Hoje  sexta-feira! Est 
um calor arretado*, eu poderia estar mergulhando no mar. Recife 
est to bonita, cheia de turistas que esto chegando para o 
carnaval. Por que  que eu fui fazer isso? Minha me deve estar 
preocupada, ns amos experimentar minha fantasia de portuguesa para 
eu brincar o carnaval...
  Finalmente, a garota d sinal de vida. Vem andando devagar, com ar 
triste e desconcertado.
  -- Nossa, Maria Eduarda, como voc demorou! Agora no dar tempo de irmos  costureira.
  -- Ah, me! Aconteceu um problema comigo.
<29>
  -- O que aconteceu?
  -- Me, vamos para o carro, estou morrendo de fome e to cansada, quero chegar logo em casa. No caminho eu te conto.
  -- Est bem, vamos. Mas quero saber o porqu desse atraso, estava quase entrando na escola pra descobrir.
  Duda parou, olhou para a me e disse:
  -- Me, eu fiquei de castigo.
  Maria Aparecida ficou surpresa:
  -- Castigo? Por qu? O que fez de errado para que a professora Teresa pusesse voc de castigo?
  -- Eu joguei meu caderno no lixo.
  -- Nossa, mas por que voc fez isso?
  -- Eu no sei, me. O caderno acabou e eu joguei fora, no achei que isso era to ruim. A minha professora ficou muito brava, me deu uma bronca na frente de todo mundo e me colocou de castigo. Disse que era para eu refletir.
  -- Olha, Maria Eduarda, eu no tiro a razo da Teresa. A gente tem 
de cuidar das coisas. No entendo essa sua atitude, voc gosta de guardar seus cadernos, voc sempre procura informaes neles...
  -- Tambm no sei direito por que fiz isso... Eu estava com raiva da Bianca, que escreveu no meu caderno sem pedir...
<30>
  -- Bom, pelo menos voc j est descobrindo o porqu de sua conduta, isso j  meio caminho andado.
  -- Pra chegar aonde, me?
  -- Ao entendimento, filha.  preciso resolver essa situao.
  Amanh, pea desculpas  Teresa e diga a ela que quando eu for buscar voc, gostaria de conversar com ela.
  -- Me, eu no quero voltar para a escola, todo mundo viu a bronca que a professora Teresa deu em mim. Estou com vergonha...
  --  preciso conversar, Maria Eduarda! No se pode simplesmente 
fugir. Voc precisa contar a ela por que jogou o caderno no lixo. 
Explique que ficou nervosa, diga-lhe tambm como voc se sentiu 
quando ela a repreendeu. Ela vai escut-la e tambm dizer como se 
sentiu ao ver voc jogar o caderno no lixo. Professor, pai, me tm sentimentos, voc sabia?
  -- Eu sei que tm, me. Mas eu no fiz isso pra irritar a professora Teresa... No tinha nada que ver com ela...
  -- Acontece, Maria Eduarda, que ela pode no ter enxergado assim. Parece que voc no valorizou o trabalho dela, a dedicao que ela teve ao lhe ensinar um monte de coisas. Enfim, voc s vai descobrir se conversar com ela, no  mesmo?
  -- Tudo isso vai ser muito difcil, me...
  -- Voc vai conseguir, filha, tenho certeza.
<31>
  Nesse momento, Cida chegava em frente  garagem do seu prdio. Estacionou o carro, ajudou Duda a carregar seu material escolar e disse:
  -- Vamos subir. Tome um banho; vou preparar sua refeio, depois quero que voc oua uma msica comigo.
  -- Ah, me! Eu no vou descer? Ir  praia?
  -- No, Maria Eduarda, hoje quero que voc fique comigo, para ouvir uma msica de que eu sempre gostei muito.
  -- Que msica?
  -- Uma cano que ajudar voc a refletir melhor sobre sua atitude.
  -- Est bem, me. E a minha fantasia?
  -- Bom, mais tarde pensamos nisso. Sei que voc adora carnaval, mas agora eu gostaria que voc se organizasse melhor para pensar como vai ser sua conversa amanh com a professora.
  -- Me, voc  professora tambm, isso j aconteceu com voc? Voc acha que a Teresa vai me perdoar?
<32>
  -- Duda, meus alunos j me entristeceram algumas vezes, e olhe que eles j so bem crescidinhos.  claro que nos aborrecemos e, s vezes, ficamos nervosos. Somos humanos. Mas, nessa questo, no se trata de perdo ou no. Temos de ser responsveis, quer sejamos adultos ou crianas. Teresa  uma pessoa consciente, pode ter se alterado, vai refletir. Mas voc precisa refletir tambm. Como eu disse:  necessrio que cada um de ns aprenda a assumir as atitudes diante dos outros.
  -- Eu no entendo muito isso, mas no gostaria que ela ficasse magoada comigo, porque sei que isso di muito na gente.
  -- Est bem, filha, agora v tomar o seu banho e depois volte para ouvirmos a cano.
  Duda despediu-se e foi para o seu quarto. Cida estava com o corao tranqilo, porque sabia que a filha e a professora Teresa iriam se entender.

<33>
<R+>
 Refletindo e produzindo com Duda

  Responda oralmente:
 1. Por que a professora de Duda a deixou de castigo aps a aula?
 2. Voc j fez algo em sala de aula que levou seu (sua) professor(a) a coloc-lo(a) de castigo? Se voc respondeu sim, como se sentiu?
 3. Depois do que aconteceu na escola, Duda no pde ir  praia. Voc j deixou de fazer algo que acha divertido porque ficou de castigo? Se voc respondeu sim, como se sentiu?
<p>
 4. A me de Duda aconselhou-a a conversar com a professora. Voc 
concorda com essa atitude?
 5. O que voc faria se fosse aconselhar Duda?
 6. Voc sabe o que significam as expresses "pensava com seus botes", "d sinal de vida" e " meio caminho andado" que apareceram na histria de Duda?

  Responda por escrito:
 7. Voc j ouviu algum dizer que "leu ao p da letra" ou que 
"entrou pelo cano"? Afinal, letra tem p? Ser que a pessoa entrou em 
um cano? Essas expresses parecem estranhas, no ? Escreva o que elas significam para voc. Se voc conhecer outras 
expresses "estranhas", escreva-as tambm.
<R->

<34>
<p>
<R+>
 Nosso caderno... Nossa histria
<R->

  Aps o banho, Duda, ainda triste, atendeu o pedido da me e foi ouvir a cano com ela.

<R+>
 O caderno
 Toquinho e Mutinho

 Sou eu que vou seguir voc
 Do primeiro rabisco at o be-a-b
 Em todos os desenhos coloridos vou estar
 A casa, a montanha, duas nuvens no cu
 E um Sol a sorrir no papel

 Sou eu que vou ser seu colega
 Seus problemas ajudar a resolver
 Sofrer tambm nas provas bimestrais junto a voc
 Serei sempre seu confidente fiel
 Se seu pranto molhar meu papel

 Sou eu que vou ser seu amigo
 Vou lhe dar abrigo se voc quiser
<p>
 Quando surgirem seus primeiros raios de mulher
 A vida se abrir num feroz carrossel
 E voc vai rasgar meu papel

 O que est escrito em mim, comigo
 Ficar guardado se lhe d prazer
 A vida segue sempre em frente, o que se h de fazer
 S peo a voc um favor, se puder
 No me esquea num canto qualquer

 CD *Pra gente mida*. So Paulo: Universal Music, 1998.
<R->

<35>
<R+>
  Responda oralmente:
 1. Voc gostou da cano *O caderno*?
 2. Voc sabe o que  um *verso*? E uma *estrofe*?
<R->
<p>
  *Verso*  uma linha do poema ou da cano. Veja o exemplo:

<R+>
 "Sou eu que vou seguir voc"
<R->

  *Estrofe*  um grupo de versos. As estrofes so separadas umas das outras por um pequeno espao. Veja o exemplo:

<R+>
 "Sou eu que vou seguir voc
 Do primeiro rabisco at o be-a-b
 Em todos os desenhos coloridos vou estar
 A casa, a montanha, duas nuvens no cu
 E um Sol a sorrir no papel"
<R->

<R+>
  Responda por escrito:
 3. Agora que voc j sabe o que  um verso e uma estrofe, releia os 
dois ltimos versos da 4 estrofe da cano *O caderno* e responda:
 a) Qual  o pedido do caderno?
<p>
 b) Ao ouvir os dois ltimos versos da cano, Duda se emocionou com 
o pedido do caderno. Por que isso aconteceu?

 4. Os autores escreveram a cano imaginando o que um caderno poderia representar na vida de uma menina. Relendo a letra dessa cano, copie trs significados que o caderno diz ter.
 5. Voc acha que os cadernos s tm significados como esses que voc destacou na vida das meninas? Por qu?

  Responda oralmente:
 6. Rena-se com um(a) amigo(a). Pensem nas coisas que vocs 
escrevem em seus cadernos. Que tipo de anotaes vocs registram neles? Vocs acham que essas anotaes so importantes? Por qu?
<R->

<36>
<p>
<R+>
 Regras e castigos variam no tempo e em diferentes lugares
<R->

  Cada sociedade cria suas regras de acordo com determinados valores. Hoje, assim como antigamente, as regras variam de lugar para lugar e, possivelmente, sero modificadas de acordo com as alteraes sociais.
  Se pudssemos, nesse instante, fazer uma viagem e visitar vrias 
escolas em diferentes pases, veramos que as regras estabelecidas 
para se conviver na escola e as penalidades para quem as desrespeitam 
podem variar bastante. Na dcada de 1990, em algumas escolas do 
Japo, por exemplo, os professores puniam severamente seus alunos, inclusive com castigos fsicos, quando eles lhes desobedeciam.

<R+>
 1. Rena-se em dupla para ler, compreender e debater a reportagem reproduzida a seguir. No se esquea de consultar um dicionrio para entender o significado das palavras desconhecidas. 

 S para samurais
<R->

  H mais de dez anos os educadores japoneses enfrentam problemas por causa de sua disciplina rigorosa. Alunos menos avanados recebem castigos fsicos e discriminao dentro da escola. Com medo das conseqncias, escondem os fatos. S casos mais graves so divulgados e levam os dirigentes a procurar novas formas de estruturar a educao japonesa para continuar atendendo as empresas que procuram por funcionrios muito disciplinados, eficientes e competitivos.
  Entre os anos de 1939 e 1945, o Japo participou de uma grande guerra, conhecida como Segunda Guerra Mundial. O pas perdeu a guerra e ficou destrudo. A necessidade de reconstruir o pas se transformou numa das principais justificativas dos educadores para estimular os estudantes, a qualquer custo.

<R+>
 Texto adaptado da Revista *Educao*. So Paulo: Segmento, ago. 1997. p. 12.
<R->

<37>
<R+>
  Responda por escrito:
 2. Segundo essa reportagem, como os alunos "menos avanados" eram tratados nas escolas do Japo? Por qu?
 3. O que vocs pensam sobre essa forma de educar os alunos no Japo da dcada de 1990?
<R->

  Entre os *Kuikuru*, povo que vive no Parque Indgena do Xingu, em Mato Grosso, as crianas no apanham. Isso porque, segundo esse povo, na velhice os pais sero cuidados pelos filhos e estes devem aprender como cuidar bem de algum. As crianas *Kuikuru* que desobedecem a seus pais, entretanto, ficam de castigo.
<p>
<R+>
  Responda oralmente:
 4. O que voc pensa a respeito da educao das crianas *Kuikuru*? Voc concorda ou discorda? Por qu?

 5. Comparando a educao nas escolas japonesas da dcada de 1990 com a educao do povo indgena *Kuikuru*, responda:
 a) Quais so as semelhanas e diferenas entre elas?
 b) Se voc fosse convidado para estudar em alguma escola do Japo que ainda aplica o castigo fsico ou entre os *Kuikuru*, no Parque Indgena do Xingu, qual escolheria? Por qu?
<R->

<38>
  No Brasil de hoje  proibido castigar fisicamente as crianas nas 
escolas. Mas nem sempre foi assim.

<R+>
 6. Observe atentamente a descrio das imagens a seguir:

 _`[{foto 1: um homem segurando pelo cabo uma pea de madeira 
achatada_`]
 Legenda: Luiz Kelly Martins dos Santos  pesquisador e um dos 
organizadores do Museu da Tecnologia da Educao, localizado na 
cidade do Rio de Janeiro. Nesta foto, tirada em 2000, ele aparece com 
uma palmatria usada nas escolas inglesas dos anos de 1800.

 _`[{foto 2: uma mulher bate com a palmatria (pea de madeira com 
cabo e parte circular achatada) na palma da mo de um menino 
ajoelhado  sua frente_`]
 Legenda: Esta foto, produzida h cerca de 130 anos, revela que no 
Brasil a palmatria tambm era utilizada. Ela era feita de madeira e tinha furos em forma de cruz em uma das extremidades.
<R->
<p>
<R+>
  Responda oralmente:
 7. O que mais chamou sua ateno nessas imagens?
<R->

<39>
  Essas imagens nos mostram que, no passado, tanto no Brasil como em outros pases, era comum castigar as crianas utilizando a palmatria. No Brasil, usava-se uma palmatria como a da segunda fotografia. Na parte redonda desse objeto, havia furos em forma de cruz que deixavam bolhas nas mos das crianas e dos adolescentes castigados.
  "Levar bolo" era a expresso usada para se referir ao ato de 
castigar com a palmatria. Mas esse no era o nico tipo de castigo. 
Havia tambm castigos como ajoelhar no milho; ficar um longo tempo em 
p, com os braos para o alto, sem poder abaix-los; ficar virado 
para a parede, sem poder
<p>
 conversar com ningum etc.
  No tempo da palmatria, havia tambm formas de castigar os alunos 
sem causar dor fsica, mas que os humilhavam da mesma forma, na 
frente de todos. Eram os chamados "castigos morais". Aplicava-se um 
exemplo desse castigo quando um aluno era questionado oralmente: se 
errasse alguma resposta, era obrigado a usar um chapu com longas 
orelhas de burro.

<R+>
  Responda oralmente:
 8. O que voc pensa a respeito do uso de castigos como esses?
 9. Voc acha que esses castigos so eficientes para que as crianas aprendam com mais rapidez e facilidade? Por qu?
 10. Em sua opinio, qual  ou quais so as melhores formas de se educar uma criana?
<R->

  Atualmente, a maioria dos educadores no mundo todo no acredita mais que castigos fsicos e morais, como os descritos anteriormente, possam ajudar as crianas a aprender. Por essa e outras razes, em nosso pas e em muitos outros, castigos como esses praticamente no existem mais.

<40>
<R+>
 11. Agora, leia o depoimento de Luiz Kelly Martins dos Santos, que fez uma pesquisa histrica sobre o uso da palmatria:
<R->

  "Era comum nas formaturas de fim de ano os alunos presentearem os 
professores com palmatrias feitas de madeira compensada ou papelo (...)."

<R+>
 Trecho da reportagem "Pedagogia da dor", de Alexandre Pavan. Revista *Educao*. So Paulo: Segmento, ano 27, n. 229, maio 2000. p. 34.
<R->

  Com certeza, voc jamais escolheria algo como uma palmatria para presentear seu professor ou sua professora, no  mesmo?

<R+>
  Responda oralmente:
 12. Em sua opinio, por que os alunos do sculo XIX davam palmatrias de presente a seus professores? Ser que esses alunos gostavam de apanhar?
<R->

  O pesquisador Martins dos Santos concluiu com os seus estudos que os alunos daquela poca, assim como voc, no gostavam de apanhar. Aqueles alunos simplesmente seguiam os valores da sociedade em que viviam. Assim, ao presentearem seus professores com uma palmatria, eles estavam demonstrando que obedeciam aos seus mestres. Da mesma forma, alguns professores, ao usarem a palmatria para puni-los, achavam que estavam agindo da melhor forma possvel para educ-los bem. Alguns, talvez, abusassem, castigando as crianas com malvadeza; outros procuravam us-la o mnimo possvel, porque achavam que o emprego excessivo desse instrumento no era bom para as crianas.
<p>
<R+>
  Responda oralmente:
 13. Releia o depoimento do pesquisador Luiz Kelly Martins do Santos e responda:
 o Que tipo de presente voc desejaria dar a seu (sua) professor(a)?
<R->

<41>
<R+>
 Professores, meninos e meninas maluquinhos no tempo da palmatria
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  No final do sculo XIX, o castigo fsico foi abolido nas escolas, 
mas o uso da palmatria continuou at pelo menos 1940.
  O escritor Ziraldo, autor e ilustrador de livros infantis como *O 
menino maluquinho* e *Uma professora muito maluquinha*, nasceu em 
Caratinga, no estado de Minas Gerais, em 1932.
  A palavra "maluquinha", para Ziraldo, indica uma pessoa criativa, interessante, amiga, que sabe enfrentar e resolver os problemas de uma forma diferente das demais. No texto abaixo, ele relata suas memrias sobre duas professoras que tinham comportamentos muito diferentes e conta como ambas influenciaram a vida dele.

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 1. Com um(a) amigo(a), leia a reportagem em que Ziraldo explica sua convivncia com essas professoras:
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 "Sua presena em minha vida foi fundamental"
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 Ziraldo Alves Pinto

  (...) Tenho muitos professores inesquecveis. A primeira professora 
que minha memria grava no tinha carinho comigo. Botava todos os 
meninos branquinhos no colo, mas a mim, no. Um dia, sentei no colo 
dela por minha conta e ela me botou no cho. (...) Era uma escola 
particular, papai no tinha como pagar as mensalidades, era o patro 
dele quem pagava. Vai ver, da vinha a minha falta de prestgio com a professora. Devia ter esquecido o nome dela, mas no esqueci. Ela se chamava Dulce, mas no era nada doce.
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  Felizmente, no fiquei muito tempo nessa escola, mas, por causa dela, vim vindo pela vida curtindo uma enorme carncia afetiva. Que consegui transformar em desenhos, livros, peas de teatro, logotipos, cartazes e ilustraes. (...)
  Minha segunda professora marcante foi dona Glorinha d'vila, me do 
poeta e escritor mineiro Joo Etienne Filho. Ela era discpula de 
Helena Antipoff, que revolucionou o ensino bsico de Minas na dcada 
de 1940. Dona Helena percebeu logo que no dava pra mudar a cabea 
das professoras mineiras, que tinham ainda penduradas na parede da 
sala de aula as assustadoras palmatrias. Ento, formou 150 jovens 
idealistas e as espalhou por Minas Gerais, com a misso de mudar a escola por dentro. Uma dessas jovens era dona Glorinha, que, entre outras coisas e contra a vontade das velhas professoras do Grupo Escolar e de sua rabugenta diretora, retirou a palmatria furadinha da parede de minha classe. S mais tarde foi que percebi a luta de dona Glorinha. Que ela venceu. Descobrindo -- bem mais tarde -- que sua presena em minha vida tinha sido fundamental (...). Um domingo, fiz a primeira comunho e no ganhei santinho. Na segunda-feira, ela mandou me chamar na secretaria. "Voc fez primeira comunho ontem, no fez?" Como , meu Deus, que uma pessoa adulta, to importante, pde prestar ateno num menininho pardo fazendo primeira comunho naquela catedral to grande? (Pois minha cidadezinha tinha catedral...) Ela a perguntou: "Voc ganhou um santinho de recordao?" No havia ganho, no. A, ela abriu a gaveta, tirou um santinho lindo e escreveu uma dedicatria onde li as palavras "brilhante" e "futuro" que, na hora, no fizeram o menor sentido para mim. Somente um pouco mais tarde descobri que ela sabia tudo da minha vida, vinha me observando no meio de centenas de alunos do velho Grupo e at j havia mandado chamar meu pai pra conversar...
  Engraado, agora, remoendo essas lembranas, descubro que tive uma professora maluquinha, sim. Foi a Dona Glorinha d'vila, to pequeninha, to frgil, to bonitinha...

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 Revista *Nova Escola*. So Paulo: Abril, ano XIII, n. 115, set. 1998. p. 58.
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 2. Agora, respondam por escrito:
 a) Quais professoras so inesquecveis na vida do escritor e desenhista Ziraldo? 
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 b) Como era o tratamento dado por essas duas professoras a Ziraldo?
 c) Quais foram as conseqncias na vida do escritor causadas pelo tratamento que recebeu dessas duas professoras?
 d) E seu (sua) professor(a), como ?
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 Observando imagens de *Debret*
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  No Brasil do sculo XIX, no s os pais tambm castigavam seus filhos -- at mesmo os adultos poderiam sofrer castigos fsicos.

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 1. Observe a descrio da imagem a seguir:

 _`[{Escravo, seminu, amarrado num tronco, aoitado, em praa pblica_`]
 Legenda: Aplicao do castigo do aoite, de Jean Baptiste *Debret*, sculo XIX.
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 2. Agora, observe a descrio da imagem:

 _`[{alguns escravos, uns sentados, outros deitados, presos pelos 
tornozelos_`]
 Legenda: Negros no tronco, de Jean Baptiste *Debret*, sculo XIX.

 3. Com a ajuda do(a) professor(a), rena-se em grupo para conversar sobre as imagens que vocs observaram nas atividades 1 e 2. A seguir, respondam:
 a) Quem est sendo castigado? Por qu?
 b) Que forma de castigo est sendo usada?
 c) Quais instrumentos esto sendo utilizados?
 d) Como  o lugar em que as pessoas esto sendo castigadas?
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  As imagens que voc acabou de observar nos ajudam a perceber que
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 no Brasil, durante o sculo XIX, o castigo fsico no era aplicado somente nas escolas. Tambm era utilizado para punir escravos, condenados etc. Hoje, em nosso pas, os castigos fsicos no podem mais ser utilizados nas escolas nem em qualquer outro lugar.
  Mas ser que a violncia desapareceu de nossa sociedade?

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 Como era a educao no tempo dos meus avs
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  Voc far uma entrevista com seu av, sua av ou com uma pessoa mais velha que conviva com voc.
  O objetivo  descobrir como era a educao no tempo em que eles eram crianas. Para realizar a entrevista, voc precisar marcar um horrio e escolher um lugar tranqilo para fazer as perguntas  pessoa que escolheu.
  Se voc tiver um gravador, grave a entrevista. Caso contrrio, pea 
ajuda a algum adulto para registrar as respostas que voc ouvir.
  Seja atencioso(a): oua as respostas e os comentrios da pessoa que voc estiver entrevistando com calma e respeito, para que voc possa contar tudo para seus amigos de classe.
  Siga o roteiro a seguir e, se desejar, elabore outras questes sobre o tema.

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 Roteiro da entrevista:
 1. Qual  o seu nome?
 2. Quantos anos voc tem?
 3. Onde voc nasceu?
 4. Voc gostava de estudar?
 5. Em que escolas voc estudou? Voc gostava delas?
 6. Como eram as regras estabelecidas nas escolas em que voc estudou?
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  Pergunte  pessoa entrevistada se, na poca em que ela estudava, 
era utilizado algum tipo de casti-
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 go. Caso a pessoa diga que sim, 
proponha as seguintes questes:

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 7. Que tipos de castigos eram empregados?
 8. Como voc se sentia diante deles?
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  Caso o(a) entrevistado(a) no tenha freqentado a escola, pergunte a ele(a) como foi educado(a), se foram os pais ou outras pessoas que cuidaram da educao dele(a). Converse tambm sobre o que ele(a) acha sobre a forma como as crianas so educadas atualmente.
  Faa outras perguntas, se desejar. Antes de encerrar a entrevista, permita que a pessoa entrevistada fale algo mais sobre o tempo em que era estudante, se quiser.
  Leve sua entrevista para a sala de aula e mostre o resultado a seus amigos.
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 Para saber mais

 *"Com licena?": aprendendo sobre convivncia*, de Brian Moses e 
Mike Gordon. So Paulo:
  Scipione, 1999. (Coleo Valores).
 *"E eu com isso?": aprendendo sobre respeito*, de
  Brian Moses e Mike Gordon. So Paulo: Scipione, 1999. (Coleo Valores).
 *O menino maluquinho*, de Ziraldo. So Paulo: Melhoramentos, 1998.
 *Uma professora muito maluquinha*, de Ziraldo. So Paulo: Melhoramentos, 1998.
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 Fim da Primeira Parte